Racismo na infância? – TIPO4

Bom dia, amorxs (nem tão bom assim). Hoje não seria dia de post, mas não consegui adiar o desabafo após uma matéria que vi esta manhã (VEJA AQUI).

Em uma escola do municipio de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, aconteceu algo que me deixou meio chocada e bastante triste. Segundo a matéria, a mãe dos gêmeos (crespos) Antônio e Benício, de 3 anos, Débora Figueiredo, recebeu na última sexta (16) o seguinte bilhete:

bilhete

Isso mesmo, você não leu a data errada: 16 DE JUNHO DE 2016 (século XXI e tal, embora não pareça). Na matéria há também um depoimento da mãe, que se sentiu ofendida com a abordagem: “Meus filhos Antônio e Benício foram vítimas de preconceito por causa do cabelo deles, recebi essa mensagem na agenda escrita pela coordenadora da escola que até então tinha meu respeito, daqui em diante…”

A diretora e proprietária do educandário, Eliane Nascimento, disse haver um surto de piolhos na escola, e o bilhete visaria proteger os gêmeos por lhes considerar mais sujeitos à contaminação, por terem cabelos cheios. “De modo algum houve preconceito. Meu marido é negro. Aqui na escola aceitamos pessoas de todas as etnias e religiões, sem discriminação”, disse Eliane.

Agora vamos à minha visão, ok? Eu, quando criança, nunca tive a oportunidade de assumir meu crespo natural, pela pressão que sofria com a família, (ainda sofro, claro, mas hoje sei lidar, diferente de uma criança de cinco anos, no meu caso) com os colegas, com a sociedade em geral. Me doía muito ser xingada pelo volume do meu cabelo e ter que me submeter esporadicamente aos tratamentos de alisamento que eu detestava, mas me foi imposto.

Você sabe o quão raro é estar inserido em uma família que apoia o seu natural, ou mesmo que aceita e respeita sua liberdade capilar? Provavelmente a Sra Eliane não sabe. Não sabe porque se soubesse valorizaria a força que a mãe desses meninos precisa ter para ir contra a maré e afirmar a beleza do crespo deles, para ensinar a eles que o natural também é belo e que eles têm o direito de ser assim. Pelo que senti do depoimento da mãe, ela já passou por discriminação e sabe muito bem do que estou falando.

Esse recado me machuca pessoalmente, porque não é só para os dois meninos, não é só pelo surto de piolhos, é por toda a contradição que se cria na cabeça de crianças, pequeninos que não sabem bem o que está acontecendo, mas que sofrem com isso. Foi para reforçar que essa imposição e aversão se cria na infância, que eu fiz posts como “Cacheadinhas: dicas para a mamãe cuidar“, que comecei o planejamento de um projeto de pesquisa acerca disso, que movi e moverei montanhas para dizer a essas crianças que elas são lindas e que fico tão feliz quando vejo um/a “crespo/a mirim” nas ruas.

Mamãe Débora, força! O TIPO4 está com você. E Sra Eliane, ao invés de “ficar mais feliz” com o cabelo dos garotos mais baixo ou preso, se o surto de piolhos é realmente o seu motivo, avise apenas A TODAS AS MÃES para estarem atentas aos fios dos pequenos.

Um beijxs e até a próxima :*

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